Entre Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos - Ana Paula Maia

Onde a vida humana vale pouco. Alienação a uma rotina degradante mas naturalmente dura para quem conhece outras esperanças mas não vê como alcançar. Crenças populares que acendem uma luz para um outro mundo oculto que serve de fuga a realidade densa e mormacenta. Falta de empatia e um apego ao prolongamento da própria vida, algo que poderia acontecer em qualquer camada social, mas são colocados em um contexto sócio econômico onde as situações são psicologicamente e fisicamente desgastantes. Em certo momento me fez lembrar do documentário Ilhas das folhes de 1989, Jorge Furtado, mas com pitadas do filme Argentino Relatos Selvagens. Nos acostumamos a vida que levamos. Algo rude que nos coloca sempre no mesmo lugar, tapando os olhos para outras possibilidades. Se agarrando a uma vida que a alguns parece miserável, triste e insuportável. A Família e sua vasta possibilidade de gerar um ambiente hostil. Porém por mais rude que a vida pareça sempre é possível encontrar alguém que compartilha da mesma aspereza e que parece fazer as coisas serem mais amenas.

O trabalho Sujo do outros

Adultos doentes, crianças e um ambiente degradante. Me pareceu ser mais fácil ter afinidade por algum dos personagens, mas não tenho certeza se afinidade seria a palavra correta. Há algo de heroico e quase virtuoso, o que me pareceu ausente no primeiro conto, isso tirou um pouco do impacto que a primeira novela me causou, parecendo menos real, mas ficcional, apesar de ambas serem ficções. Novamente sem saída. Histórias se relacionam em algum ponto, ambientalmente e fisicamente. Pitada mais reflexiva e lírica. Semelhantes mas levemente diferentes em suas tonalidades. "Como uma besta de fardi, estéril, híbrida, que não questiona" O trabalho Sujo do outros, Maia, Ana Paula.

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